#Carnaval2023: Grande Rio – Escola celebra Zeca e a cultura suburbana com belo visual, mas comete erros pontuais

Por Redação Carnavalize
Buscando o bicampeonato em 2023, a Acadêmicos do Grande Rio decidiu passear por Xerém à procura de um dos mais ilustres sambistas brasileiros. O enredo da agremiação de Caxias, intitulado “Ô Zeca, o pagode onde é que é? Andei descalço, carroça e trem, procurando por Xerém, pra te ver, pra te abraçar, pra beber e batucar!”, homenageou Zeca Pagodinho e foi desenvolvido, mais uma vez, pela dupla de carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora.
Na abertura do desfile, a comissão de frente, comandada pelos coreógrafos Hélio e Beth Bejani, trouxe o encontro de malandros e cabrochas, procurando o homenageado passeando por diferentes lugares de afeto. O corpo de baile utilizou um tripé, que tinha um tapete de LED que trocava o piso, propiciando diferentes ambientações. A coreografia foi bem executada e a comissão cumpriu bem o seu papel de apresentar a escola e o enredo. Na sequência, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, formado por Daniel Werneck e Taciana Couto, apresentou uma dança bem bonita e bem planejada. Infelizmente, na altura dos primeiros módulos, se verificou um desencontro ligeiro entre a dupla. Apesar disso, é preciso ressaltar a sintonia do casal.
Malandros e cabrochas da comissão de frente (Foto: Vítor Melo/Rio Carnaval)
O desenvolvimento do enredo consistiu em uma procura pelo homenageado, que passeou por festas de terreiro, pelo Cacique de Ramos, e por bairros do subúrbio carioca como Irajá e Del Castilho. A narrativa se mostrou uma grande exaltação da cultura suburbana do Rio de Janeiro. Tal repertório de imagens guiou o conjunto visual. O abre-alas apostou em uma bela linguagem, misturando vários São Jorges com diferentes pinturas de arte. O carro dos erês era arrojado em termos de formato e exibiu um trabalho cromático interessante. Em geral, o competente conjunto alegórico se destacou pela boa volumetria, pelo apuro de formas e pela ousadia que se materializou em uma estética que foi mais para o cartoon e para a arte pop. O conjunto plástico foi prejudicado somente pela segunda alegoria que passou apagada. Os figurinos mantiveram o alto nível do início ao fim, com excelente uso de cor e de materiais, como metalóides. 
O homenageado levantou o copo na Sapucaí (Foto: Vítor Melo/Rio Carnaval)
O samba-enredo passou muito bem pela Sapucaí, garantindo um desfile leve, animado e vibrante. O intérprete Evandro Malandro mostrou, mais uma vez, sua competência com um ótimo desempenho. Os integrantes abraçaram o samba e cantaram muito. A Bateria Invocada do Mestre Fafá foi a segunda a passar na Sapucaí. Como os caxienses falam: “é proibido correr em Caxias!” e com um andamento leve de 139bpm, a máxima se confirmou. Foram apresentadas 3 bossas, algumas variações melódicas com os surdos de primeira e segunda e o destaque fica pra bossa em que a bateria faz uma paradona e a roda de samba começou e deu a deixa pra Zeca levantar o copo para o povo brasileiro. No final do desfile, a bateria precisou correr para que a escola precisasse encerrar seu desfile a tempo e com isso, a apresentação no último módulo de jurados talvez possa ser um ponto onde a atual bateria Estandarte de Ouro possa ser penalizada.
Com uma bela e animada apresentação, mas que pecou por erros pontuais de pista como uma evolução oscilante, a Grande Rio deve brigar por uma colocação entre as seis que voltam para as Campeãs. 

 

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